janeiro 15, 2006

Pormenores… e mau cheiro !

Hoje é sexta-feira mas a malta anda de candeias às avessas, coisas de mulheres, birras e mal entendidos e vai daí, petisco, nada.

Bom, mas entretanto achei por bem trazer-vos aqui um assunto de situações que nos acontecem e que, se formos observadores, acabamos por as achar divertidas, sobretudo quando se trata dos outros.

Sempre que nos deslocamos para o estrangeiro, claro sempre em trabalho, (quem tem tempo e dinheiro para ir em passeio ?), ficamos no respectivo hotel sempre modesto, basta 4 estrelas, e se houver vista mar, de preferência.
Penso que acontece com todos aqueles que já apanharam dissabores com algumas reservas, quer porque quando chegam, parece que o nosso nome é marciano ou, estamos a falar chinês em matéria da reserva que supostamente estava assegurada.
Isto para não falar das expectativas que a menina (normalmente é sempre uma menina) da agência nos criou acerca desse hotel com tudo do bom e do melhor.

De táxi, a pé ou de carro alugado, vamos sempre com o nariz no ar para descobrir o que nos saiu na “rifa”. Claro que quando somos repetentes nesse hotel, aí sentimo-nos em casa. Cumprimentamos o porteiro, sorrimos para o recepcionista, perguntamos se está tudo bem desde a última vez (convém para eles ficarem a saber que somos clientes, claro) e pedimos logo “aquele” quarto que gostámos muito da última estadia.

Quando é a primeira vez nesse hotel, mormente achamos o pessoal pouco simpático. Talvez pela nossa atitude de desconfiança e de algum desconforto. Mas até entrarmos no quarto estamos “de moca afiada” para mandar vir porque não era o que esperávamos.

Mas felizmente, aparte os mais exigentes e que nunca estão contentes (querem pagar um quarto de pensão e instalar-se no Ritz) a coisa corre normalmente e depois de uma viagem maior ou menor, mas sempre incómoda e desgastante queremos é descanso e pouca “chatice”.

Instalados, observamos aquelas coisas do costume; em primeiro lugar a vista da janela.
Perfeito, ar puro.
Depois a casa de banho, os frasquinhos e sabonetes, toalhas, banheira, bom, satisfaz.
Voltamo-nos para a televisão e vamos lá ver se tem canais de desporto. Mesmo que nunca tenhamos tempo para estar no quarto a ver TV, a curiosidade tem de ser morta.
Armário, chão e roupa limpinha. Bem, safamo-nos desta e não temos de começar a estadia a reclamar o que por vezes não é mau para o pessoal ganhar respeitinho.

Desfazer malas, arrumar umas camisas e umas calças para se “desengelharem” e o resto fica na mala para não apanhar pó das gavetas e sobretudo não dar trabalho desnecessário.

O programa varia com todos e com cada um face às várias situações e locais, hora de chegada, comidinha, planta da cidade, transportes e por aí fora.
Dormir, acertar o organismo com a hora local e no outro dia começa o martírio com os intestinos a não quererem funcionar.
Claro, depois dos nervos da viagem, da pressurização da cabine do avião, da dúvida do hotel e de outras tantas tropelias, não há mesmo tripa que resista e vai daí, “greve”.

No primeiro dia de manhã, é vê-los na sala do pequeno-almoço, amarelos, com olheiras, a passarem a mão pela barriga com ar disfarçado, enfim o costume.

Quem estiver com atenção sabe sempre quais são os hóspedes acabados de chegar.
Os que se servem de flocos, ameixas de conserva, sumos naturais, estão na conta.

Os outros, felizardos que já se recompuseram ou suportam melhor as alterações infligidas ao organismo, até parecem que gozam com o mal dos outros.
Quando se trata de casais, então a coisa ainda se torna mais evidente. Isto, porque um passa sempre pior e isso faz até parecer que o outro está “porreiro”.

Então é ver os mimos e a ajuda a trazer os floquinhos e as ameixas e depois, aí vai disto, avia-se ele, ou ela, com uns belos ovos mexidos e coisas afins de arregalar o olho.
Podemos então observar o olhar desconsolado do que tem a tripa atrofiada e a começar a inchar por cheia em demasia, começando a esfregar a barriguinha para ver se a coisa se “despacha”.

Por vezes, até chegamos a observar o esforço que o “entupido” faz para se aliviar.
Quase sempre é assim; o nosso amigo ”hóspede da tripa cheia” começa por observar se tem alguém próximo dele na mesa ao lado. Depois, observa o passeio dos empregados (alguns nem se incomodam com estes) e começa a inclinar ligeiramente o corpo de lado para abrir espaço entre as nádegas e a cadeira e com isso permitir a saída daquele incómodo gaz gerado pela trapalhada acomodada no seu interior.
Concluída a “operação” podemos ainda observar duas cenas;
A primeira é o ar de aliviado que se instala no seu rosto. Até parece que recebeu uma boa noticia de casa.
Depois, quase em simultâneo é a preocupação em afastar aquele cheiro terrível que ficou no ar (pudera, para quem não vai à “casinha” há dias…) e os movimentos disfarçados variam mas sempre com a mesma graça para quem observa.

Há ainda alguns que assumem o mau cheiro e agem como se fosse o vizinho do lado a “alargar-se”.
Estas são as cenas mais cómicas pelo seu caricato.
E o que é facto é que, quando são muitas pessoas que estão próximas umas das outras ninguém sabe quem foi e acaba o “cagão” por ficar na fama de que ele é que não foi… é preciso ter uma lata… mas resulta.
Só não corre muito bem quando a cena se repete e aí a coisa já “cheira mal” em todos os sentidos da palavra.

A este propósito lembro-me de nos meus primeiros anos de professor os alunos me contarem que o meu colega que lhes dava aulas de “oficinas de mecãnica” era useiro e vezeiro num truque que consistia em dar uma martelada em cima de uma bancada da oficina ao mesmo tempo que quase gritava qualquer coisa, procurando sintonizar com esse som a sonoridade de valentes “peidos” que largava e com os quais se aliviava.
O problema era que, talvez pelo excesso de gases nos intestinos, raramente acertava na sincronização e a martelada fazia-se ouvir antes ou depois do dito.
Seria uma questão de desafinação… e a musica ficava insuportável na zona de acção do “catedrático do martelo”.
Era aliás um bom homem que não vejo há uns largos anos… com o seu nariz sempre vermelho, diziam as más-línguas, por motivo do bagaço.
Acho sinceramente que neste particular havia alguma falta de razão.
Já no outro, não sei…

Em qualquer dia da semana, dá para observarmos coisas curiosas que se passam à nossa beira… sobretudo, mais bem cheirosas.

Até sexta


Publicado por tertuliaalviela em janeiro 15, 2006 02:06 PM
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