Eu sei que a frase não é bem esta, mas no presente caso, é assim que a quero e é assim que ela fica.
Seja, leia-se " todos diferentes...".
Por tradição, nesta altura do ano tenho publicado aqui uns textos que, correspondendo a situações reais, acabam por traduzir cenas engraçadas ou, pelo menos, caricatas umas e bizarras outras.
Este ano, nem por isso.
Pois é, há alturas na nossa vida que parece nada correr bem, nem se acerta com nada.
Parece que, como diz a cantiga do outro do Porto, "…o mundo se uniu para nos tramar..."
Primeiro foi a Tertulia que sofreu um abalo na sua organização ao ponto de passar a virtual. É uma estória longa, mas com aspectos muito interessantes e que prometo, aqui voltarei a escrever sobre isso, com as devidas cautelas para não complicar mais as coisas.
Depois foi a perda de um meu amigo, inseparável, que ainda muito me ligava a alguém que também perdi.
Como está muito recente, não consigo encontrar espaço intelectual, nem muito menos algum humor para escrever no registo que tenho mantido e quero continuar, neste Blog.
Já sobre o PePe, era assim que esse meu amigo se chamava, não prometo ser capaz de aqui escrever sobre ele. Pode ser que um dia me encontre com a nostalgia e o espírito apropriado, mas não prometo, embora sinta que ele merece essa homenagem.
Ele era de facto um amigo inseparável, ia comigo para todo o lado sem nunca reclamar.
Estava sempre de acordo comigo, embora como qualquer bom amigo, só fazia o que lhe apetecia, dentro daquilo que estava ao seu alcance e era muito, apesar de tudo.
Contrariamente a muitos "amigos" que tive ao longo da vida e que me atraiçoaram, traíram, venderam-me por um prato de lentilhas ou simplesmente me trocaram por conveniências e oportunismos, o PePe nunca assim se comportou.
Ouvia-me sempre com muita atenção e nunca discordou de mim.
Tinha defeitos como todos os amigos, mas eu tudo compreendia e tudo acabava a perdoar como deve fazer um bom amigo.
Raramente se queixava e levou com ele a mágoa de uma vida de celibatário, totalmente contrária à sua natureza.
Nisso, nunca fui um bom amigo dele.
Uma paixão irresistível por chocolate.
Hábitos alimentares restritos, sem exigências e sempre insatisfeito, embora nunca ficasse gordo.
Exigente na sua higiene sem grandes resultados aos quais por vezes eu procurava dar uma ajuda directa ou por interposta pessoa.
Já na higiene oral era eu, mais ninguém, que quinzenalmente tratava de lhe cortar os dentes.
As visitas ao médico em matéria de vacinas, era a sua amiga que tratava disso.
Enfim, tinha o seu espaço próprio e hábitos que nunca irei esquecer.
O PePe deixou-me definitivamente e eu fiquei mais pobre, mais só, sobretudo ainda mais só.
O PePe era o Coelhinho mais lindo e mais querido do mundo.
Sepultei-o dentro de uma caixa de sapatos, no canteiro de flores onde ele mais gostava de se esconder de mim.
Em sua memória, durante a noite do dia 31 de Dezembro e no dia 1 de Janeiro, uma tocha de jardim ficou acesa na sua sepultura.
Por isso, estamos todos iguais mas…, é TUDO DIFERENTE….
Até sempre meu amigo.