Alguns dias após as eleições autárquicas, já decorria o nosso habitual jantar de sexta-feira, ainda passava em todos os canais, antes das telenovelas, não sei quantos jornalistas, analistas, comentadores (outra raça engraçada) e afins a tentar explicar o que já todos sabíamos, “quem ganhou as eleições em cada terrinha”.
Dei comigo a pensar nesta coisa das sondagens, das previsões, daquelas respostas giras dos políticos quando se lhes pergunta; - “Sr Dr o que diz às sondagens…?” a resposta é sempre a mesma, indiferentemente de quem a dá; - “minha senhora, sondagens são sondagens, embora seja agradável ir à frente, o que aliás é justo e já esperado…”, ou então, caso contrário, respondem; “minha senhora, eu tenho outra sondagem em que o resultado é ao contrário, a meu favor e depois sabe que isto das sondagens valem o que valem, no final os votos é que contam e ganha quem tiver mais…” bestial, pelos vistos às vezes também ganha quem tem mais votos.
Claro, é que há partidos que ganham sempre, seja qual for o resultado e isto quando não são mesmo vários a ganhar.
Analistas e comentadores. São uma chuva em todos os órgãos de comunicação e depois trocam. O director do jornal A vai à televisão B, a rádio C entrevista o director da televisão D e assim sucessivamente.
Então porque não fica cada um na sua loja? Será que com isto vão ganhar mais uns cobres? Acho que é isso.
Comentadores. Duas coisas sempre presentes: “… como se recorda eu já há uns meses atrás tinha dito que isto ia acontecer, tinha previsto a coisa e não me enganei…”, quem é que agora se lembra do que ele disse e se disse?, logo a seguir, perguntado sobre o que ia suceder em determinado cenário político ou social, dizem; “…bem, ainda é cedo para me pronunciar, porém acho que OU vai ser preto, OU vai ser branco. Claro que ainda há uma pequena hipótese de vir a ser cinzento, mas não parece provável.”
Pronto já está a coisa comentada, analisada e prevista.
E ficamos a saber que o ilustre comentador, de um modo geral, porque não é bruxo embora queira parecer, não faz a mínima ideia de como vai ser. Aliás o contrário é que seria de admirar. Pois se os próprios intervenientes na coisa publica não sabem o que vão dizer ou fazer, porque carga de água um comentador saberia…?
Depois há as evidências que qualquer um de nós prevê como vai ser e aí eles são peremptórios!
Chega-se o fim do mês, passa para cá mais uns milhares e pronto.
Escandaloso é ainda por cima a maioria desses senhores, sempre acima de qualquer suspeita, são totalmente tendenciosos. Ou do partido A ou do partido B, mas são tendenciosos. Em resumo, pagam-lhes e bem, para eles fazerem a apologia das ideias e pontos de vista dos seus partidos.
E isto, ninguém critica. A comunicação social não acha escandaloso porque são eles que promovem e se são eles não tem mal, tá tudo certo.
Mas onde eu queria chegar é que nessa sessão telejornalesca, surge a tal noticia que tudo explica e que nos deixou a todos estupefactos.
Em recente estudo, feito lá por não sei quem que não percebi, concluiu-se que em 2004 foram 6 milhões os portugueses que tomaram ansiolíticos, antidrepessivos e afins. Nos últimos 4 anos as vendas desses medicamentos aumentaram 30%.
Mais, em cada 4 portugueses, 1 é doente mental.
Está tudo explicado novamente.
Está tudo doido e com depressões, desde quem vota em certos candidatos para as juntas e câmaras municipais, a quem faz e analisa sondagens, comentadores etc.
Pior mesmo é que nos milhares de candidatos por esse país fora deve ter sido grande a percentagem dos consumidores desses produtos. E depois das eleições, os que perderam, pioraram certamente.
Como aqui não se deve aplicar a célebre média do frango, eu como um, tu não comes nada, logo comemos meio frango cada um, também nos ilustres e intocáveis jornalistas e outros que falamos atrás, a razia deve ser enorme.
Senão vejamos, nesse mesmo bloco informativo, começam a falar nos problemas da agricultura do Alentejo. Até aqui nada de novo, pois todos fomos massacrados com a seca. A seca foi mesmo uma “seca” informativa.
Mas quando não é o nosso espanto, é que a notícia agora era de chuvas torrenciais e trovoadas nessa região do país. Sim senhor, e com inundações e tudo.
Ora bem, não há fome que não dê em fartura.
E neste ponto, comenta um nosso sócio (não comentador da tv); é pá, os homens ainda não receberam os subsídios da seca já têm de ir a correr meter os papeis para o subsidio das inundações.
Outro sócio, já com a sua refeiçãozita mais adiantada contou então uma estória a propósito e que não resisto a contar-vos aqui.
Dizia ele;
Nos anos logo a seguir à revolução, no meio de uma praça de determinada cidade, em cima de um palco mais ou menos improvisado, com aquelas cornetas de então, dirigentes de um determinado partido polítiko faziam um komicío.
Nisto, ouviu-se uma explosão e um carro de um desses camaradas, foi pelos ares.
A agitação inerente ao caso, mas logo se reafirmou as convicções de quem falava, o fascismo não passaria (só rebentava um carro aqui e acolá), etc.
Um zeloso correligionário, avançou logo por entre os presentes a fazer um peditório para substituir o carro do camarada.
Dirigiu-se a um grupo de velhos sentados num banco ao fundo da praça e pergunta; - “camaradas, não querem dar nada prá’juda da compra dum carro pró nosso camarada?”, responde um deles, meio ensonado, -“porra, ainda agora dei prá bomba já me tão a pedir pró carro?”
É assim, a agricultura quando não se dá bem com a meteorologia lá vem a tradicional corrida aos subsídios.
Mas como sem agricultura, não podíamos fazer os petiscos, acompanhados de batatinhas, legumes, os queijinhos, etc, etc. Olha, os homens que lá vão fazendo o que possam… mesmo devagggaaaaarrrinnnhhho.
Até sexta.
Publicado por tertuliaalviela em outubro 23, 2005 02:00 AM