Nesta sexta feira o “tacho” não correu muito bem. Quer-se dizer, correu bem, mas a carne tava dura como cornos. Parecia que tínhamos comprado só a parte dos cascos do animal. Mas sobre isto falaremos mais tarde. Hoje, quero aqui relatar uma parte da nossa conversa, amplamente desenvolvida no final do petisco.
Muitos, ou pelo menos alguns dos nossos sócios têm negócios no Brasil para onde estão constantemente a ir.
Não vamos aqui entrar em pormenores dessas visitas de trabalho.
Quando lá fomos na passagem de ano (recomendam-se esses textos; -“Mini férias de Natal” e “Ano Novo 2005” procurar em - Janeiro de 2005) vimos bem como eles sofrem naquelas terras.
Aqui há tempos um amigo recentemente chegado de umas curtas férias naquelas bandas, reclamava, porque é que o Brasil não é aqui mais perto?
-Respondia outro, – Pois, ali a seguir ao Alentejo, não é?
Claro que, como tudo, também o Brasil está no lugar certo.
Conta-se até uma passagem de quando Deus criou a Terra e estava nessa tarefa com S. Pedro e outros ajudantes de campo, ia sucessivamente atribuindo as melhores coisas do universo àquele país, até que um deles o interrogou; -Deus, porque concentras num mesmo local tantas coisas boas? Ao que Ele teria respondido; -Espera e verás a m…. de povo que lá vou colocar.
Não quis desvirtuar a estória, embora me pareça um pouco violenta.
Mas por outro lado e para quem não sabe, os nossos irmãos brasileiros têm-nos na conta de burros. Para os brasileiros os portugueses são os alentejanos das suas anedotas. A diferença reside em que nós temos carinho pelos nossos e eles nem por isso em relação a nós.
Mas atenção, os brasileiros não deixam de ter alguma razão quando pensam que nós somos burros. É que eles trabalham muito menos que nós e divertem-se à grande com uma vida descansada e sem stress.
Só para deixar uma ideia de uma estória preferida por eles em relação a nós;
“O marido no duche pede; -Maria dá-me o champô! - E ela leva.
-Maria dá-me outro, este é para cabelos secos e eu já molhei os meus.”
Mas o que vos queria chamar a atenção hoje tem a ver com os mandamentos que Cristo escreveu e determinou ou decretou, não sei como se diz ao certo.
Nos dias que correm, seria seguramente um decreto, tal como faz o Sócrates e seus pares. Ora Deus não era muito menos. Vá lá equiparado. Obviamente que se cá andasse hoje seria apoiante do nosso governo. Pelo menos em matéria de aposentação, pois Cristo ainda está no activo. (mas também me parece que não fez descontos…tava lixado na mesma).
Bem, que fosse então decreto, era para cumprir por todos os homens na Terra.
O Brasil que eu saiba também faz parte, embora por vezes aquilo pareça mais um paraíso…
De qualquer forma, se Deus disse, era para cumprir por todos. De privilégios já chega o país que têm, com governos sem corrupção, nem nada desses males que aborrecem os europeus…
Pois muito bem, só que no Brasil os mandamentos são apenas 7 e não 10.
Acho isto inaceitável por questões de igualdade. Por outro lado, concordo.
Concordo, porque isto é como as leis, se é para não se cumprir, então não se legisla.
Dos 3 mandamentos que faltam no Brasil, dois são duvidosos. Refiro-me àqueles que dizem para o resto do mundo civilizado, não matarás e não roubarás.
Vejamos; sabemos que isto no Brasil não faz muito sentido. Mas podiam ao menos ter um meio-termo, do género, roubarás pouco, ou, se for o governo não conta, enfim, compreender a situação.
Em relação ao não matarás, aí também podia haver umas excepções para crianças. Por exemplo, não matarás se tiveres menos de 4 anos de idade. Como eles entram todos para a pré-primária com essa idade, aprendiam lá como se rouba uma arma, carregá-la etc.
Ou então, não permitir o crime se o objecto do roubo não fosse superior a 10 reais (o equivalente a 3,5 euros). Caso contrário não ganha para a bala.
Enfim, como disse, sobre isto podem surgir várias opiniões, mas sobre o 3º mandamento que Deus os isentou, aí estamos todos de acordo com certeza.
Trata-se nada mais, nada menos do que – Não desejarás a mulher do próximo.
No Brasil isso não faz qualquer sentido.
Primeiro nunca se sabe bem de quem é a mulher nem muito menos onde está o próximo, depois, as moças com mais de 14 anos a escola que têm é no sentido de procurar um marido mesmo que depois… pois.
Mas afinal aquilo por lá é um bocado salve-se quem puder, a rapaziada é sempre a aviar, o calor aperta, as moças são lindas de rachar, e outros adjectivos que podíamos estar aqui um dia inteiro a escrever. Então porque razão se havia de complicar as coisas aos brasileiros.
Sim, porque há aqui um aspecto muito importante. É que não conheço nenhum povo do mundo mais crente que os brasileiros.
Deus para eles é tudo e tudo é feito na sua graça e à sua sombra.
Se a coisa corre bem, é graças a Deus, se corre mal, Deus assim quis, se o Carnaval é bom, deve-se a Deus, se ganham o campeonato do mundo, Deus está com eles, samba, telenovela, tudo tem o dedo de Deus.
Conta-se uma estória de um menino português que foi viver para lá com os pais, na catequese, quando o padre ensinava que Deus está em todo o lado, o menino perguntou; -Padre, está mesmo em todo o lado? – Sim, meu filho está.
-Em minha casa? – Sim em tua casa; -No meu quarto, Sim meu filho.
-Padre, ele está também no meu quintal? – Sim meu filho no quintal.
-Mentira, eu não tenho quintal.
Então queriam que eles não cumprissem os mandamentos.
Claro que a solução encontrada por Deus, foi exactamente expurgar esses 3 mandamentos.
Ao menos assim, Ele sabe que a malta cumpre o resto.
Apetece dizer que o nosso governo devia fazer o mesmo em relação a algumas regras que ninguém cumpre, nomeadamente aqueles sinais de trânsito, de proibição de circular a mais de 30 km à hora.
Até sexta, à hora do costume…
Já há algumas semanas atrás, no decurso do nosso jantar das sextas-feiras, tínhamos combinado ir ao futebol.
Ir ao futebol mas em excursão da Tertúlia, em manada, não é ir agora um para cada lado, sem jeito nenhum.
Tal como fomos ao hókei em Outubro de 2003 e cuja crónica se recomenda.
Em primeiro lugar foi preciso escolher qual a equipa que iria merecer a honra da nossa presença. Depois, qual o jogo. Chegamos a um consenso rápido para contentar todos. Iamos ver o Sporting-Benfica.
Os lagartos como são poucos e maus, ficaram todos contentes. O jogo era em casa deles e iam ganhar certamente.
Bom, como de costume, escolhemos os carros mais económicos para a deslocação e marcada a hora da partida lá fomos. A viagem foi do género da que fizemos em Abril de 2004 quando fomos assistir ao Golf (outra crónica a não perder, Golf – um desporto de segundas tentativas). Partimos cedo para almoçar pelo caminho e lanchamos ainda antes de chegar a Lisboa. Depois do que se comeu e bebeu, fomos directos ao estádio da LUZ. Só um bom bocado depois de arrumar o carro, porque não havia movimento ali perto, nem os arrumadores do costume, lembramo-nos que o jogo afinal era em Alvalade. Lá voltamos para trás.
Bilhetinho na mão, comprado por um sócio do Sporting, fomos surpreendidos, logo à entrada, por uma cena entre pai e filho que sobressaíam dos “cascóis” do seu Sporting.
O filho, ainda imberbe, perguntava ansioso ao pai; -Pai vamos ganhar, não vamos? Ao que o pai com paciência respondia; -Sim, vamos! , repetida a pergunta à exaustão, logo o pai se exaltou e ofereceu pancada ao rapaz.
Pensei para comigo. Já são horas do moço aprender que não se insiste com o pai numa altura destas. Depois, sendo do Sporting, claro que estava mesmo a pedi-las. Até já aos circundantes apetecia “molhar a sopa”.
Após uns encontrões e outras tantas pisadelas, verificamos, já no lado de dentro que o nosso lugar ficaria ao cimo de umas escadas que era preciso vencer.
Entre protestos e reclamações, com juras de vingança ao lagarto que comprou os bilhetes, lá iniciamos a subida.
Mal sabíamos nós o que nos esperava.
Ao fim de não sei quantos lances de escadas , perguntava um; - óh pá, mas o jogo é no céu, ou quê? Outro, mais atrasado, resmungava só para ele, mas que todos ouviam; - Quem me manda a mim meter com os gajos do Sporting. Eu pago o bilhete mas é uma m…..!
E as reclamações choviam e aumentavam de tom.
Subidos mais 2 ou 3 lances, já um sócio se sentava nas escadas a descansar.
Outro, dizia; - Bem, quando a gente lá chegar, já o jogo acabou e são horas de começar a descer.
Entretanto, à medida que nos aproximávamos da chegada, iam-se ouvindo os cânticos e berros das clakes e demais aficionados.
Finalmente, uma plataforma de ar fresco. Tínhamos chegado!
Procuramos a porta respectiva e no meio de insultos e assobiadelas, lá encontramos os nossos lugares.
Quando começamos bem a olhar para o relvado, um após outro, trocamos olhares entre nós.
Quem usava óculos rapidamente os começou a limpar.
Mas afinal não era disso que se tratava. Simplesmente estávamos tão longe do campo de jogo que não só não éramos capazes de reconhecer os jogadores como nem quase destrinçávamos as cores das camisolas.
-Mas afinal o que é isto? Perguntava o nosso associado que maior esforço tinha feito pelas escadas acima a arrastar os seus muito mais que 100Kg de peso.
-Mas isto é que é um estádio? –E foi aqui que vieram jogar para o Euro? –Valha-me nossa senhora!
-Mas eu também não identifico os jogadores, dizia outro muito espantado. Minha rica televisãozinha, eu vou-me já embora!
No meio deste desencanto, entram as equipas e todos se põem de pé, agitando bandeiras e cascóis.
Olho para o lado e vejo o ar desconsolado de mais 3 amigos que abanavam a cabeça e relimpavam os óculos.
Começou o jogo e o “festival” de insultos não tardou 2 minutos.
Entre 22 jogadores, mais uma dúzia de suplentes, treinadores, médicos, massagistas, directores, e sei lá que mais, apenas um senhor de amarelo e calções pretos mereceu “os elogios” de todos os adeptos de ambos os clubes. O árbitro.
Nunca aquele santo homem conseguiu agradar a ninguém. Até metia dó.
Lá mais para diante sempre conseguiu repartir as atenções com um dos ajudantes que corriam de lado com uma bandeirinha na mão a fazer lembrar os antigos guardas das passagens de nível dos comboios.
Assisti até a um dos espectadores a pedir um isqueiro ao vizinho, o que estranhei porque não lhe via nenhum cigarro e, espanto meu, o sujeito agarrou no dito e arremessou-o directo à cabeça de um dos árbitros, aproveitando o momento em que estavam próximo um do outro a conferenciar.
Virou-se para o ex-dono do isqueiro ainda meio-parvo com o negócio e disparou –“isto é para os gajos aprenderem,” e acrescentou de seguida, “assim juntos temos mais hipótese de acertar num deles”.
O adepto que ficou sem o isqueiro, olhava para o maço de cigarros que entretanto tinha tirado do bolso e ia procurando com o olhar alguém que próximo estivesse a fumar para pedir lume.
Pensei para comigo, senão te despachas, o teu amigo ainda pede outro antes de ti e lá ficas sem fumar até final do jogo.
Chegou o intervalo e a rapaziada que estava fora de si aos berros e aos saltos, ficou de repente calma, davam palmadas nas costas uns dos outros, riam e comentavam “aquela” jogada que ia dando golo.
Propunham-se apostas que ninguém fazia, mas isso também é normal. É só para entreter conversa.
Quando dei por mim, a maior parte dos meus amigos tinha saído, uns para o bar outros à casa de banho e o jogo estava prestes a recomeçar.
Lá saí apressado para o xixi e pelo menos tive a vantagem de já não haver “bicha” e despachar-me rápido.
Mais 45 minutos de gritaria, cotoveladas do parceiro do lado que quando a sua equipa estava em apuros apertava-me a perna com ambas as mãos e quando estava ao ataque dava pontapés infernais nas costas da cadeira à sua frente numa tentativa de substituir o jogador e marcar ele o golo.
Bem, quando eles marcaram o golo, pensei que aquela bancada ia abaixo, tal eram os saltos, safanões e empurrões.
Resultou logo do primeiro golo uma vantagem, metade da turba, ficou meia rouca e deu logo para notar uma descida de decibéis nos insultos ao adversário e ao árbitro.
A outra metade não tardou a ficar na mesma pois não demorou muito tempo até que surgisse o golo do empate.
Aí, enquanto uns mandavam os cascóis ao ar os outros mandavam ao chão e pisavam-nos com indisfarçável raiva. Enquanto os primeiros davam saltos e abraços, os outros davam murros e pontapés nas cadeiras.
Afinal tudo gente civilizada e civicamente bem comportada.
E não tardou muito a troca de piropos entre adeptos das duas equipas.
Aí disse para os meus amigos, “…é melhor ir andando que isto já não dá mais nada de jeito e temos de ir jantar que se faz tarde.”
Todos perceberam e lá fomos saindo com muito receio que naquele meio tempo em que atravessávamos pela frente dos espectadores houvesse algum golo.
Era certo e sabido que íamos parar á fila da frente se o povo começasse aos saltos.
Este pensamento fez-me um arrepio porque me lembrei de há muitos anos atrás, ainda no velho estádio da luz, vi um adepto cair do segundo para o primeiro anel.
Ainda hoje guardo na memória o baque do corpo a cair. Era um jogo internacional e logo ao meu lado um comentário do género, “…é bem feito que não tinhas nada que te meter aí…”, nunca soube se caiu por acidente ou com “ajuda” de alguém chateado com o resultado.
Para o espectador “voador” isso não deve ter tido muita importância, embora fosse a diferença…
Com esta recordação, respirei de alivio quando começamos a saga da descida das escadas.
O que vale é que a descer todos os santos ajudam e o jantar chamava por nós.
Parece que ainda houve golo não sei de quem. Afinal que interessa o resultado, desde que ganhe a nossa equipa, tudo bem.
Isto do futebol é muito difícil…
Todos recordaram com satisfação a ida ao Golf. Aí sim, valeu a pena. Temos de repetir!
Viva o nosso clube!
Alguns dias após as eleições autárquicas, já decorria o nosso habitual jantar de sexta-feira, ainda passava em todos os canais, antes das telenovelas, não sei quantos jornalistas, analistas, comentadores (outra raça engraçada) e afins a tentar explicar o que já todos sabíamos, “quem ganhou as eleições em cada terrinha”.
Dei comigo a pensar nesta coisa das sondagens, das previsões, daquelas respostas giras dos políticos quando se lhes pergunta; - “Sr Dr o que diz às sondagens…?” a resposta é sempre a mesma, indiferentemente de quem a dá; - “minha senhora, sondagens são sondagens, embora seja agradável ir à frente, o que aliás é justo e já esperado…”, ou então, caso contrário, respondem; “minha senhora, eu tenho outra sondagem em que o resultado é ao contrário, a meu favor e depois sabe que isto das sondagens valem o que valem, no final os votos é que contam e ganha quem tiver mais…” bestial, pelos vistos às vezes também ganha quem tem mais votos.
Claro, é que há partidos que ganham sempre, seja qual for o resultado e isto quando não são mesmo vários a ganhar.
Analistas e comentadores. São uma chuva em todos os órgãos de comunicação e depois trocam. O director do jornal A vai à televisão B, a rádio C entrevista o director da televisão D e assim sucessivamente.
Então porque não fica cada um na sua loja? Será que com isto vão ganhar mais uns cobres? Acho que é isso.
Comentadores. Duas coisas sempre presentes: “… como se recorda eu já há uns meses atrás tinha dito que isto ia acontecer, tinha previsto a coisa e não me enganei…”, quem é que agora se lembra do que ele disse e se disse?, logo a seguir, perguntado sobre o que ia suceder em determinado cenário político ou social, dizem; “…bem, ainda é cedo para me pronunciar, porém acho que OU vai ser preto, OU vai ser branco. Claro que ainda há uma pequena hipótese de vir a ser cinzento, mas não parece provável.”
Pronto já está a coisa comentada, analisada e prevista.
E ficamos a saber que o ilustre comentador, de um modo geral, porque não é bruxo embora queira parecer, não faz a mínima ideia de como vai ser. Aliás o contrário é que seria de admirar. Pois se os próprios intervenientes na coisa publica não sabem o que vão dizer ou fazer, porque carga de água um comentador saberia…?
Depois há as evidências que qualquer um de nós prevê como vai ser e aí eles são peremptórios!
Chega-se o fim do mês, passa para cá mais uns milhares e pronto.
Escandaloso é ainda por cima a maioria desses senhores, sempre acima de qualquer suspeita, são totalmente tendenciosos. Ou do partido A ou do partido B, mas são tendenciosos. Em resumo, pagam-lhes e bem, para eles fazerem a apologia das ideias e pontos de vista dos seus partidos.
E isto, ninguém critica. A comunicação social não acha escandaloso porque são eles que promovem e se são eles não tem mal, tá tudo certo.
Mas onde eu queria chegar é que nessa sessão telejornalesca, surge a tal noticia que tudo explica e que nos deixou a todos estupefactos.
Em recente estudo, feito lá por não sei quem que não percebi, concluiu-se que em 2004 foram 6 milhões os portugueses que tomaram ansiolíticos, antidrepessivos e afins. Nos últimos 4 anos as vendas desses medicamentos aumentaram 30%.
Mais, em cada 4 portugueses, 1 é doente mental.
Está tudo explicado novamente.
Está tudo doido e com depressões, desde quem vota em certos candidatos para as juntas e câmaras municipais, a quem faz e analisa sondagens, comentadores etc.
Pior mesmo é que nos milhares de candidatos por esse país fora deve ter sido grande a percentagem dos consumidores desses produtos. E depois das eleições, os que perderam, pioraram certamente.
Como aqui não se deve aplicar a célebre média do frango, eu como um, tu não comes nada, logo comemos meio frango cada um, também nos ilustres e intocáveis jornalistas e outros que falamos atrás, a razia deve ser enorme.
Senão vejamos, nesse mesmo bloco informativo, começam a falar nos problemas da agricultura do Alentejo. Até aqui nada de novo, pois todos fomos massacrados com a seca. A seca foi mesmo uma “seca” informativa.
Mas quando não é o nosso espanto, é que a notícia agora era de chuvas torrenciais e trovoadas nessa região do país. Sim senhor, e com inundações e tudo.
Ora bem, não há fome que não dê em fartura.
E neste ponto, comenta um nosso sócio (não comentador da tv); é pá, os homens ainda não receberam os subsídios da seca já têm de ir a correr meter os papeis para o subsidio das inundações.
Outro sócio, já com a sua refeiçãozita mais adiantada contou então uma estória a propósito e que não resisto a contar-vos aqui.
Dizia ele;
Nos anos logo a seguir à revolução, no meio de uma praça de determinada cidade, em cima de um palco mais ou menos improvisado, com aquelas cornetas de então, dirigentes de um determinado partido polítiko faziam um komicío.
Nisto, ouviu-se uma explosão e um carro de um desses camaradas, foi pelos ares.
A agitação inerente ao caso, mas logo se reafirmou as convicções de quem falava, o fascismo não passaria (só rebentava um carro aqui e acolá), etc.
Um zeloso correligionário, avançou logo por entre os presentes a fazer um peditório para substituir o carro do camarada.
Dirigiu-se a um grupo de velhos sentados num banco ao fundo da praça e pergunta; - “camaradas, não querem dar nada prá’juda da compra dum carro pró nosso camarada?”, responde um deles, meio ensonado, -“porra, ainda agora dei prá bomba já me tão a pedir pró carro?”
É assim, a agricultura quando não se dá bem com a meteorologia lá vem a tradicional corrida aos subsídios.
Mas como sem agricultura, não podíamos fazer os petiscos, acompanhados de batatinhas, legumes, os queijinhos, etc, etc. Olha, os homens que lá vão fazendo o que possam… mesmo devagggaaaaarrrinnnhhho.
Até sexta.