Após uma ausência de actualização das nossas crónicas, cuja origem se deve a situações decorrentes de avarias nas máquinas trabalhadoras de texto e sobretudo a dificuldades laborais, mais precisamente algumas greves e baixas por doença, eis que regressamos.
Apresentadas as nossas desculpas e justificações, cumpre agora descrever aos nossos leitores e outros, alguns episódios, não propriamente das nossas sextas-feiras, que essas perderam muito nestes dias de ausência de um nosso colaborador, mas antes de algumas visitas que podemos considerar de estudo, organizadas e participadas pelos nossos sócios.
Assim, e após demoradas discussões e análises, foi possível concordar com a melhor solução apresentada por um membro da nossa Tertúlia, resultado de longas exposições e reflexões, isto é, de um sorteio onde se escreveram os tema sugeridos em papelinhos e se lançaram ao ar.
Espante-se com o destino da nossa visita; UMA VIAGEM AO ALGARVE PARA ASSISTIR A UMA PARTIDA DE GOLFE.
Assim foi. Combinado as viaturas mais económicas e marcadas as datas possíveis face aos rigorosos horários e condições de trabalho, lá seguimos em 3 Mercedes e 2 BMWs, tudo a gasolina, a meio da semana combinada.
Como tudo estava marcado, abancamos no caminho para uma frugal refeição em pleno Alentejo. Após cerca de 3 horas de comida e vinhos da região lá seguimos viagem para não nos atrasarmos para o jantar.
Deixando de parte os demais pormenores da viagem, alojamento e alimentação, passemos desde já ao cerne da visita, ou seja, ao torneio de Golfe que tinhamos como destino.
Convém acrescentar também que, de todos os participantes na viagem apenas um estava mais familiarizado com o "esporte" (como diz brasileira), pois tinha experiência de acompanhar na EuroSport as reportagens e comentários que passam ocasionalmente. Apenas algumas dificuldades sobre os nomes das coisas porque não sabe inglês. Os demais, esses, nunca tinham visto nem ouvido nada sobre o assunto, pensando até que seria modelo de carro.
Logo no primeiro dia, bem cedo a meio da manhã, cerca das 11 horas, chegaram os primeiros membros, exactamente quando acabavam de partir os últimos jogadores do turno da manhã.
Depois de alguma discussão com o director do campo que teimou em não emprestar, alugar nem mesmo vender por qualquer preço um daqueles carros de 2 lugares a que chamavam "Bâgues" lá fomos andando a pé pelos campos verdejantes e viçosos, ouvindo alguns protestos já gastos de benfiquistas que só viam verde para onde olhassem.
Com algum esforço lá alcançamos os nossos primeiros jogadores, por sinal, 3 jogadores e uma senhora que empurravam uns carrinhos que logo alguém identificou como iguais aos que as nossas empregadas e esposas levam ao mercado ás 4ª feiras.
De facto, reparando bem, as diferenças não são muitas.
Bem, dentro dos sacos das compras, ou do lugar dele, saíam uns paus ou ferros brilhantes e curvos, alguns dos quais parecidos com "stiks" do hóquei.
Logo fomos elucidados pelo nosso golfista que o objectivo do jogo consistia em bater com aqueles "stiks", denominados de tacos, numa bola tipo ovo de perdiz, um bocadinho maior, talvez de cócóa e enfiar a dita num buraco lá longe onde uma bandeirinha ao vento assinalava o "hole". E isto, utilizando o menor número de pancadas.
Havia ali uma dificuldade comum a todos os jogadores que levou a maioria dos nossos observadores a classificar o golfe um jogo de segundas tentativas.
Sim, de facto todos, sem excepção, só acertam na bola após duas ou mais tentativas. E eles que pareciam tão experientes, a julgar pelas roupas e demais acessórios e a concentração que punham na coisa.
Coitados, á primeira nunca ninguém acertou. Esquisito.
Lá continuamos a nossa caminhada pelos campos, procurando as sombras como um bom alentejano faz, circundando lagos e areais, quando nos deparamos com uma cena caricata de um jogador a despejar um daqueles fossos de areia com o seu "stik", perdão, taco. Batia que nem um desalmado com a coisa na areia projectando terra a bons metros de distancia, incomodando já outros colegas.
Vermelho que nem um benfiquista com os copos, suava as estopinhas, até que desencantou a bola que rolou devagarinho na relva adjacente, por sinal ignorando o lado para onde estava o tal buraco com a bandeirinha, que um jovem servente, se apressava a agarrar na mão.
Como se o sacrifício não fosse suficiente, eis que o nosso “lavrador” de areia, agarra num rodo que ali estava perto e começa a endireitar a terra que tinha matraqueado. Alguém se interrogou porque não mandava o servente fazer as obras na areia. Alguém esclareceu que era castigo por ter falhado. Coisas do jogo.
Mais á frente demos com um jogador, que já se tinha perdido do seu grupo e procurava a bola que devia estar certamente dentro de alguma das piscinas circundantes, já que á vista não dava acordo de si. Houve logo quem alvitrasse que seria inteligente ensinar um cão a procurar a bola. Sempre poupava tempo e esforço. Procuramos ajudar mas disseram que não podia ser e como já estávamos chateados, seguimos para o "hole" seguinte.
Pelo caminho entre os vários buracos vimos de tudo um pouco; desde um jogador a sair do meio de um canavial a puxar as calças, que ficámos sem saber se procurava a bola ou se tinha ido aliviar-se, outro á briga com uma fiada de pinheiros que lhe devolviam a bola, após cada pancada, outro que se embrulhou num arame da vedação do campo e ainda uma senhora derreada com o saco das compras ás costas. Deve-se ter acabado os carrinhos e cavalheiros, nada. Mão de obra dos serventes ali, também não deve ser muito em conta, pois ucranianos não havia por aquelas bandas.
Enfim, ao longo dos dois dias que ali passamos a passear no meio dos "greens", com uns intervalos para umas cervejolas e uns tremoços, divertimo-nos e ficamos a saber algumas coisas sobre a modalidade.
Porém, no caminho de regresso e mesmo alguns dias depois quando nos encontrávamos na bica, ficou-nos sempre a mesma duvida; Porque não eram eles capazes de acertar na bola logo á primeira?È verdade que no futebol a bola é maior e os defesas do Benfica também nem sempre acertam á primeira. Mas todas as vezes, é demais.
Uma certeza nos ficou, o Golfe não será para nós (por enquanto) e será sempre um desporto de segundas oportunidades.