Há já alguns meses que um sócio descobriu que algumas companhias de aviação estavam a saldar viagens, do género 50 e 60 € para ir a Paris e coisas do género.
Talvez porque quando as coisas agradam, há sempre mais alguém que viu e sabe, outros confirmaram a pechincha.
Depois de Paris choveram sugestões que deram a volta ao mundo não sei quantas vezes.
Semana após semana, com o cu bem assente nas cadeiras á volta da mesa na Tertúlia, lá se vai idealizando viagem aqui e acolá. Os preços já subiram e desceram e de concreto, nada.
Porém, esta semana, o Presidente em exercício ao saber de uma tertúlia congénere que deve ter falado menos e agido mais, tinham ido mesmo numa dessas viagens, teve uma ideia brilhante e original;
- E se fizéssemos uma viagem ? Fez-se um silêncio caridoso e todos pensaram “ desta é que é...” , e veio então a receita;
- Passamos a fazer a comida aqui, fica mais barato, n’é, e faz-se o mealheiro (neste caso migalheiro, porque das migalhas se tratava e o significado é o mesmo).
Logo alguém acrescentou estar de acordo, porque o proponente é de facto quem mais se desunha a trabalhar na tertúlia e a cozinhar nem se fala.
Cada um teve de seguida o seu momento de se exprimir, embora para ganhar tempo falassem 3 e 4 simultaneamente. O resultado é o mesmo porque não se chegou a conclusão nenhuma como habitualmente.
Aliás, houve mesmo quem recordasse que o Presidente efectivo (que por sinal esta semana baldou-se) tinha ficado mandatado para obter propostas de agências para essa viagem, cada vez mais virtual.
O que é facto é que enquanto não vamos a lado nenhum, sempre se reconhece a importância de se cozinhar na tertulia, intercalando com os petiscos oriundos das nossas “caras-metades” que têm receitas de fazer crescer água na boca.
E então aqui vai a proposta que sem discussão, nem votação será aprovada democraticamente e por unanimidade, na próxima reunião;
- Eleger o sócio COZINHEIRO-MOR, sendo Ajudantes os voluntários necessários. A proposta será concretizada, substituindo-se assim a denominação de mecânico de cavalos por CHEFE, sendo atribuição deste a coordenação e realização das tarefas de cozinha, nomeando as ajudas de que necessitar.
E com respeito ás contribuições para a viagem (nem que seja á bairrada para comer um petit cochon) são pagas semanalmente, havendo uma penalização aos faltosos de 25%.
A viagem será marcada com antecedência de 3 meses e todos terão as vacinas em dia e a autorização do cônjuge por escrito.
E assim lá deglutimos mais uma ementa do restaurante que aliás estava uma delicia.
Esperemos pela próxima sexta-feira.
CRÓNICA DOS BONS AMIGOS (II)
Um amigo com veia para a agricultura ao inaugurar as instalações da sua nova quinta ali para os lados de Casével, convidou como habitualmente um grupo de amigos seus, acompanhados dos respectivos cônjuges.
Aprecio a maneira desenvolta do nosso agricultor e a sua capacidade em ultrapassar situações.
Isto a propósito de alguém, já em hora adiantada, ter pedido para assar castanhas pois só havia cozidas.
Após uma minuciosa busca, concluiu-se não haver castanhas cruas e já não eram horas de ir ás compras.
Ficaram os convidados retardatários entretidos a contarem histórias e a comer as cozidas.
Passados alguns minutos ouve-se na lareira, o som inconfundível do assador de castanhas.
De imediato, um dos presentes dirige-se ao lume, deita mais uma pitada de sal, novamente o crepitar característico, mais uma volta ás castanhas e um copo manteve a expectativa dos minutos que faltavam para queimar as mãos a tirar a casca ás assadas.
Alguns convidados, porque não ouviram os antecedentes da falta dos frutos, nada acharam de anormal, até verem o que tinham á frente.
Outros, ficaram algo desconfiados, quando ao ser despejado o assador, as castanhas estarem escuras e esquisitas.
Pois é, assistimos á descoberta de uma nova receita de castanha assada.
Primeiro cozem-se, deixa-se arrefecer e depois assam-se.
Quem não tem cão, caça com gato.
Na falta de castanhas cruas, o nosso anfitrião, não se atrapalhou e encheu o assador com castanhas cozidas que eram muitas e estavam sem saída...
Como diz a canção; ...Quentes e boas, Quentinhas...
No final da noite e sem surpresa não havia castanhas cozidas, nem assadas, nem cozidas-assadas.
Os portugueses são mal agradecidos e quando lhes dão alguma coisa querem sempre mais.
Veja-se o caso dos estudantes universitários. Apanham-se a saber ler e escrever (alguns mal) vão de férias para a universidade, levam um dos carros da família, todos compram o seu apartamento, durante a semana frequentam os restaurantes mais caros e nos fim de semana diskutecas a gastar já não sei quanto que dizia o outro no jornal um dia destes.
Malandros.
E depois não querem pagar.
Afinal o país não precisa deles para nada. Quando saem querem é ir para o desemprego e RMG e não ocupam os lugares que estão á sua espera.
Não querem pagar ? Malandros. São todos uns malandros.
A única excepção que conheço são os meus filhos.
A coisa devia ser assim. Propinas, 100 contos por mês ou 500 € ou lá o que é.
Quem não tem dinheiro não tem vícios. Vá trabalhar que já o avô e o pai do meu caseiro assim faziam. O meu caso não é praki chamado, é uma excepção e não conta.
Há para aí muitos doutores e engenheiros e professores nem se fala.
Não querem pagar, fecha-se a universidade, vendem-se os edifícios para baixar o déficit e pronto. Malandros. Vão trabalhar.
Não têm vergonha. Mal agradecidos.
Bom, mas eu queria falar hoje era sobre os pratos da Tertúlia.
Como não somos mal agradecidos deixamos aqui o nosso reconhecimento público ao senhor Z (aqui não se fala em nomes) que nos fez a oferta da LOIÇA REGIONAL DE VIANA.
Pois quem quiser que visite o site www.LRV.pt e vê do que estamos a falar.
Foi uma oferta de grande qualidade, embora estejamos a necessitar de pratos sem ser de sopa, rasos, acho que é assim que se chamam.
Com loiça desta parece que estamos sempre em festa ( e estamos).
Pois, não somos mal agradecidos e precisamos muito de mais uns 12 pratitos. Os de sobremesa também estão um bocadito curtos, mas uma coisa de cada vez ( a não ser que se queira aproveitar o transporte).
Meu (nosso) caro amigo Z, traga a loicita e venha fazer-nos companhia, pois teremos todo o gosto em oferecer um “rancho” em sua honra (e da loiça claro).
Os nossos agradecimentos antecipados.
Esperamos por loiça, perdão, por si.
Já começa a ser tradição por ocasião do S. Martinho a reunião semanal da Tertúlia realizar-se na Golegã ou arredores, a convite do associado que nós sabemos.
Tenho a certeza que quem fez a escala não teve isto em conta. Foi mera coincidência.
A coisa não falhou e este ano, um pouco ao lado, ali para os lados de Casével, lá fomos até ás novas instalações.
Convívio excepcional (conta quem foi), mesmo perante o cansaço de quem nos recebia, chegado de longa viagem de negócios (foi mesmo negócios, porque a esposa também foi).
A coisa complicou-se quando se concluiu que a maioria dos sócios não sabia o caminho para o local da reunião.
- Casével, pá. Não sabes onde é ?
- Eu não, sabes bem que sou da linha...
- Ah pois, deve ser daí que vieram os frangos (?)
- Olha vai atrás de um que saiba. Desenrasca-te.
E com este e outros diálogos, lá se organizaram as partidas, mais ou menos agrupadas.
Apesar da viagem ser curta, aí cerca de 8 minutos, passados 40, ainda chegavam alguns sócios que já conheciam metade dos moradores da zona a quem tinham perguntado o caminho.
Houve um que, segundo concluímos, passou duas vezes ao portão, só que como vinha do lado errado, olhava á direita (é uma questão de feitio, o não olhar para a esquerda...), nunca viu o local.
O último a chegar, não sabia do cão, apanhou um susto cujas consequências fisiológicas não confessou, entrou a gaguejar e a mandar vir por não o terem avisado. Pensava que o letreiro era a brincar (?)
A água-pé é uma maravilha e o local espantoso. A comida, o costume.
No final, lá fomos passar pela Golegã para assinalar o dia...
E mais uma sexta-feira passou.
CRÓNICA DOS BONS AMIGOS (I)
Em conversa animada com alguns associados na passada semana, tive o gosto de recordar e recontar pela 100ª vez, uma passagem de um amigo meu que muito prezo e com quem há muito não tenho o prazer de confraternizar.
(estou agora a lembrar que o devo convidar uma destas sextas).
O meu amigo que se reparte entre Leiria, Vila Moreira e Monsanto, onde tem (ou tinha) uma pequena tertúlia nesta última localidade, local sempre aprazível pelos petiscos muito bem confeccionados por um seu tio, contava-nos um dia;
Naquela pequena e acolhedora casa, junto aos seus cães de caça, tinha ele sempre uma excelente tábua de queijos, onde o próprio e os amigos convidados se deliciavam ao beberem uns copos da bela pinga tirada do pipo.
Já um pouco desgastado com a razia total que lhe faziam aos queijos, um dia em viagem por terras distantes, encontrou e comprou um queijo extraordinariamente picante. Pensou, “os gajos vão-se lixar com este queijo e vamos ver se sobra algum desta vez.”
No final da visita seguinte deu-se com ele a pensar;
“Porra, comeram-me o queijo todo na mesma e beberam o dobro do vinho.!”Obviamente que isto contado por ele, com o seu jeito vivo e de amigo, era de morrer a rir.
E lá bebíamos mais um copo, acompanhando um bocadinho de queijo...
O nosso Presidente, após ter sofrido o atentado, tal como toda a comunicação social considerou, comprometeu-se com a redacção do site oficial da tertúlia, em redigir um comunicado onde transmitiria aos associados e adeptos, a sua leitura dos acontecimentos.
Infelizmente para todos nós, o homem não cumpriu, tal como faria qualquer bom político da nossa praça.
Só que, se fosse político nós tínhamos de desculpar, agora num caso destes, torna-se mais difícil de perceber.
De qualquer forma, sabemos que recuperou e ainda na passada sexta-feira, comeu que nem um Presidente.
É verdade que o petisco estava divinal e feito “á mão”, isto é, cozinhado directa e especialmente pelo sócio responsável. Nada de compras no pronto-a-vestir de um qualquer restaurantezeco dos arredores.
Olhem só a ementa;
Entradas:- Papaia recheada com miolo de sapateira e (1) camarão.
Prato:- Lombo assado no forno com batatinhas, acompanhado com couves cozidas á parte e tudo regado com um molho especial (sem gordura nenhuma...)
Sobremesa:- A tradicional tarte de amêndoa (que no caso dele está sempre presente) , nozes e pinhões descascados.
O vinho era ainda caseiro de duas qualidades. Um bom e outro quase.
Foi uma maravilha e esta sexta ficou na “Top One” . Nem parecia coisa de mecânico de cavalos...
Que maravilha.
Em vésperas de S. Marinho, tudo pode acontecer na próxima sexta,
Até lá.