No decurso da discussão que se verificou na nossa última reunião, entenda-se jantar, onde abordamos o papel das mulheres, entre muitas das coisas que foram ditas, houve uma que ficou no ouvido de muitos sócios e que já motivou vários telefonemas entre associados para se tentar concluir se alguma coisa ficou decidido.
Pois muito bem, na realidade, no decorrer da nossa acesa discussão sobre se as mulheres eram ou não eram (não importa o quê), alguém disse que, se calhar, já eram horas de promover na Tertúlia um dia dedicado à mulher.
Num primeiro momento ninguém se apercebeu, como é habito. Porém, a coisa ficou a moer no bichinho do ouvido de alguns que, volvidos alguns minutos, perguntaram;
-Quem falou aqui em convidar as mulheres?
Fez-se um silêncio sepulcral.
Um sócio balbuciou muito a medo;
-É pá, eu falei nisso, mas nem era mesmo a sério, era mais para aumentar a confusão da nossa conversa.
Novo silêncio quebrado apenas pelas falas do comentador da SporTv, acerca do jogo da liga que já ninguém dava atenção nesta altura. Era entre clubes sem expressão, o Sporting com outro qualquer.
Nova abordagem;
-Mas vamos lá a ver, isso é a sério ou não é? Cá por mim, pensando bem, até sou capaz de admitir uma cena dessas. Afinal tem vindo aqui tanta gente…
-Oh colega, mas isso não será perigoso? Não se pode depois tornar um hábito, mesmo sendo só uma vez por ano? E o que vêm elas fazer?
-É pá vêm jantar. Fazemos aqui uma comezaina para elas verem que são dispensáveis.
Interrompe um outro sócio;
-Olhem, vocês conhecem aquela estória do fulano que pergunta ao amigo se sabe que o cúmulo do disparate é um ilusionista “cortar” uma mulher ao meio e aproveitar a parte de cima…
A coisa veio meio a despropósito e quase ninguém riu.
Só mais tarde alguém disse;
-Pois essa da mulher cortada ao meio, não convém a parte de cima porque faz falta a de baixo não é?
-Não senhor, é porque ficou com a parte que fala.
Bem, prosseguindo a questão principal, acabaram os presentes por travar uma conversa deveras animada e com as normais brejeirices de permeio até que um disse;
-Meus amigos, vamos lá a travar isto um bocado porque afinal a conversa hoje é acerca das nossas mulheres e não dos outros.
Só nesta altura alguns se aperceberam dessa verdade e assim, os disparates ditos não fazerem sentido.
O presidente lá se conseguiu fazer ouvir e disparou;
-Caros consócios, hoje temos de fazer uma votação. Mais, os divorciados, solteiros e viúvos, democraticamente, não votam.
Choveram os protestos. Afinal, depois de nova discussão, acordou-se que só não votavam os solteiros. Ninguém protestou. Não há solteiros na Tertúlia.
-Analisemos então como seria o programa. Elas vinham e nós fazemos o comer?
-Oh pessoal isso não é um bocado forte?
-Bem se elas ao menos lavarem a loiça e limparem a casa…
-Pois, aos outros convidados também os pões a fazer isso…
-Mas neste caso é diferente.
-Porquê? Eu acho que não e depois é assim, a loiça é lavada na máquina, logo isso não é castigo nenhum, depois não as vamos deixar ver a casa suja, fazíamos má figura.
-Vocês já viram o que é estar uma noite inteira sem podermos dizer uma asneirita, sem podermos falar das “senhoras” mal casadas e outras coisas do género?
-Pois é, temos de pensar isto melhor.
-Há uma solução. Nós acabamos o jantar e vamos levá-las a casa e fazemos a nossa vidinha.
-Isso, dizemos que vamos jogar ás cartas e ver a bola na televisão.
Houve uma aceitação generalizada desta metodologia.
Mas havia algo que não batia muito certo.
Um nó no estômago de muitos, estava difícil de ser desembrulhado.
Foi mais ou menos nesta fase em que a conversa voltou ao tema inicial porque aí as coisas eram mais concretas e dizia respeito aos outros.
Porém, como já se falou entre vários sócios, após a noite de sexta-feira, esta proposta irá ser aprovada, mais dia menos, menos dia.
Por mim acho que será preferível colocar as coisas neste ponto; a Tertúlia não tem interesse suficiente para lá levar as esposas e companheiras.
Veremos,
Até sexta-feira